segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Women Who Love Too Much

É espantoso pensar no quanto o meu universo é feminino. Demais. Talvez seja porque venho de uma família de muitas mulheres... Ou porque as minhas amizades foram firmadas com meninas... O fato é: esse intenso contato cor de rosa me fez conhecer os mais diversos dilemas amorosos das mulheres com as quais convivi. Ser uma boa ouvinte também ajudou: de alguma maneira, elas sempre confiavam suas histórias a mim. E foi pensando nas mulheres, que sofrem e amam demais (conflitante, não?), que eu me encorajo a escrever este post. Vamos lá?!

Este final de semana eu comecei a ler um livro de Psicanálise chamado 'Women who Love Too Much'. Ele já estava em minha estante há algum tempo e a falta de opção me levou a ele (que bom!!!). O objetivo do livro é ajudar pessoas que amam demais, mas é escrito sobretudo para as mulheres, porque amar demais é um fenômeno estritamente feminino. Seu objetivo é muito genuíno: ajudar mulheres com padrões autodestrutivos nos relacionamentos a reconhecer esse fato e a entender as origens desses padrões.

Muitas mulheres se tornam incapazes de discernir quando alguém ou algo não é bom para elas. Elas não rejeitam situações e pessoas que outras evitariam naturalmente como perigosas, desconfortáveis ou prejudiciais, porque não conseguem avaliá-las de um modo realista e autoprotetor. Elas tendem a não confiar em seus sentimentos. Em  vez disso, são atraídas pelos perigos, dramas, desafios e enredos que outras pessoas, com passados mais saudáveis e equilibrados, evitariam naturalmente. Mulheres que amam demais tem pouca consideração por sua integridade pessoal: elas ligam insistentemente para o homem, checam seu celular de dois em dois minutos,  o procuram, se rastejam mesmo quando, lá no fundo, sabem que são rejeitadas. E devido a essa atração sem precedentes elas sofrem ainda mais danos, porque grande parte daquilo pelo qual se sentem atraídas é uma réplica do que viveram enquanto cresciam.

Assim, a primeira notícia que tenho é que a culpa é dos pais ( em uma perspectiva a la Freud). Para a autora Robin Norwood, ninguém se torna uma mulher que ama demais assim, 'do nada'. Crescer vendo uma mulher que ama demais, por exemplo, pode produzir alguns padrões previsíveis. Muitas vezes essas mulheres se veem fazendo as mesmas coisas que seus pais do mesmo sexo faziam, tendo as atitudes que prometeram para si nunca,  nunca ter. Isso porque aprenderam com suas atitudes, e até mesmo com seus sentimentos, o que é ser um homem ou uma mulher.

Além da questão de modelo, a infância das mulheres que amam demais pode ter sido cercada de problemas de natureza mais hostil. Talvez o seu pai, embora tivesse fornecido um lar seguro financeiramente, odiasse as mulheres e não confiasse nelas, e a incapacidade dele de amar a tivesse impedido de amar a si mesma. Ou até mesmo a atitude da sua mãe em relação a ela tivesse sido invejosa ou competitiva. O fato é que há miríade de modos pelos quais uma família pode ser doentia. Contudo, é importante entender que as famílias doentias têm a incapacidade de discutir problemas básicos. Podem haver outros problemas que são discutidos, mas não costumam abranger os segredos fundamentais que tornam a família disfuncional.

A família disfuncional é aquela em que os membros têm papéis rígidos e a comunicação é severamente restrita às informações que se encaixam nesses papéis. Seus membros não têm a devida liberdade de expressar toda uma gama de experiências, desejos, necessidades e sentimentos e devem se limitar à representação de personagens.

Essa falta de comunicação presente nas famílias disfuncionais promove, nessa mulher, necessidades emocionais que não foram supridas. E vale lembrar que necessidades emocionais não se referem apenas á necessidade de amor e afeição. Embora esses aspectos sejam importantes, ainda mais crítico é o fato de que seus sentimentos foram amplamente ignorados ou negados, em vez de aceitos e validados. 

Um exemplo: os pais estão brigando. A criança sente medo. Pergunta à mãe: "Por que você está com raiva do papai?" A mãe responde: "Não estou com  raiva", embora pareça raivosa e perturbada. Agora a criança se sente confusa, com mais medo e diz: "Ouvi você gritando". A mãe responde irritadamente: "Eu já lhe disse que não estou com raiva, mas vou ficar se você continuar com isso!!!".  Agora, a criança sente medo, confusão, raiva e culpa. Sua mãe sugeriu que suas percepções estão erradas; então, se isso é verdade, de onde estão vindo esses sentimentos de medo? A criança deve agora escolher entre saber se está certa e que sua mãe mentiu deliberadamente ou pensar que está errada no que ouve, vê ou sente. Ela frequentemente se conformará com a confusão, ignorando suas percepções para não ter que experimentar o desconforto de tê-las invalidadas. Isso reduz a capacidade da criança de confiar em si mesma e em suas percepções, tanto na infância quanto mais tarde, especialmente nos relacionamentos íntimos.

Mas você pode estar se perguntando: "eu venho de um lar disfuncional?" Bem, para terminar - já que o post ficou muitoooo grande - eu vou deixar abaixo algumas características marcantes de lares disfuncionais. Se vocês gostarem do tema eu posso continuar falando sobre dele em outra ocasião.

  • abuso de álcool ou drogas;
  • extrema rigidez em relação à religião, dinheiro, sexo, televisão etc;
  • comportamento compulsivo por comer, trabalhar, limpar etc;
  • violência física contra o cônjuge/filhos;
  • discussões e tensões constantes;
  • longos períodos de tempos em que os pais se recusam a falar uns com os outros;
  • pais competitivos um com os outros ou com os filhos;
  • um dos pais não consegue se relacionar com os demais membros da família e os evita, culpando-os por essa evitação;
  • comportamento sexual inadequado por parte de um dos pais em relação à criança.


Victim of love,
I see a broken heart.
You've got your story to tell.

Victim of love,
It's such on easy part
And you know how to play its so well.

I think you know what I mean.
You're walking the wire
Of pain
and desire,
Looking for love in between...













Um comentário:



  1. Achei um texto difícil de entender mas mais difícil mesmo foi ver que me encaixo nesse modelo de mulher e família...

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