quarta-feira, 6 de março de 2013

Tubinho - Capítulo I

Após um longo voo lá estava eu na Cidade Luz.
O corpo afadigado só podia ser abafado pelo peso das minhas malas.
Como consegui colocar tanta roupa em tão pouco espaço?
A minha vontade era de desmaiar. Eu estava muito cansada!
Mas, de repente, ouvi uma voz vagamente conhecida me chamando.
Quem poderia ser? Eu não viajei para tão longe pra ser reconhecida!
E, naquela fração de segundos entre o som do chamado e a virada de rosto, pensei na infinidade de pessoas que já conheci, a fim de detectar o dono daquele timbre.
Quando virei, o calafrio! Como poderia ser? Já se passaram tantos anos. Dez? Doze? Quinze?
Ah, já não sabia! A minha cabeça estava fraca demais pra raciocinar e a minha preocupação era apenas em contracenar. Eu precisava transparecer normalidade!
Puxa! O rosto dele já não era mais o mesmo. Haviam traços de masculinidade confrontados pelas linhas do tempo.  Meu Deus! Será que ele pensou o mesmo de mim? Mesmo depois do uso de tantos cosméticos faciais?
O seu terno, assinado por 'William Westmancott', denunciava o motivo de sua presença naquele aeroporto: só podia ser a negócios.
Ufa! Ainda bem que eu vestia um tubinho preto 'Versace'.Tudo graças à minha mãe. Tenho que agradecê-la infinitamente por ter me feito trocar de roupa.
Eu gosto mesmo é de viajar com peças leves, confortáveis, mas Paris é Paris, nisso ela tinha razão.
Agora estou aqui, feito marionete do tempo e do espaço... De frente pra ele...!

By Hu Siqueira






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