Sei pouco sobre futebol.
Quase nada, na verdade. Só percebo que foi gol porque a bola “entra” e os
torcedores ao meu redor gritam. Mas sempre assisti aos jogos da Copa do Mundo.
Aquela de 1994, a primeira da qual tenho recordações, me marcou profundamente.
Sobre o Brasil sediar o
mais estimado campeonato mundial de futebol: se éramos contrários à realização
do evento em nosso país deveríamos, no mínimo, ter nos “rebelado” em 2003,
quando a Confederação Sul-Americana de Futebol anunciou a candidatura do país
para sede do evento; ou em 2007, prazo máximo para a efetivação das inscrições.
A Suécia, por exemplo,
não quis ser anfitriã das Olimpíadas de 2022, alegando ter outras prioridades,
como a construção de mais moradias na cidade. Admiro! O grau de desenvolvimento
de um país certamente está vinculado ao seu modo de pensar, às suas atitudes e
escolhas.
Mas cá entre nós: isso
lá são horas de chorar pelo “leite derramado”? Lá são horas de encher o “feed
de notícias” de seus amigos de palavras contra a seleção brasileira ou de
vestir a camisa de um país que sequer visitou?
Nós vivemos em uma nação
repleta de divergências e diversidades e a Copa do Mundo é um dos poucos
períodos em que vestimos as mesmas cores, em que cantamos o mesmo hino e
almejamos o mesmo objetivo (e até penso que deveríamos levar essa harmonia para
as outras áreas de nossas vidas). Também adoro o clima que se instala nos dias
de jogos e me emociono ao pensar na esperança que brota nos coraçõezinhos de
inúmeras crianças brasileiras que vêem no esporte um feixe de luz para as suas
vidas.
Nas aulas de geografia,
quando pequena, sonhava em ver o Brasil lá no topo do mapa e não gostava da
nítida, porém invisível, linha que dividia os países desenvolvidos dos “em
desenvolvimento”. Mas sonhar qualquer um sonha. Desabafar no facebook (como
estou fazendo agora) também.
O Brasil está longe de
ser um país perfeito - eu que o diga: fui assaltada duas vezes em dois meses.
Mas ficar de “mimimi” não vai desconstruir estádios, esvaziar os bolsos da FIFA
nem fazer brotar hospitais e escolas - além de tudo o mais de que necessitamos.
A exemplo da Suécia,
precisamos saber a hora exata de dizer “NÃO” e já que não o fizemos em
2003-2007, aí vai o maior clichê dos últimos tempos: que tal manifestar a sua indignação
nas urnas, em outubro? Ou ser um agente de mudança no ambiente no qual você
está inserido?
Satisfeito ou não, a
bola vai continuar rolando. E a sua - contrária e maçante - opinião só
vai gerar o afastamento daqueles que estão na torcida pelo Brasil. Mas sabe o
momento em que ela, a sua opinião, vai ser mais preciosa do que ouro? Na hora
do VOTO. Use a cabeça, e largue de ser tão reclamão!

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