quinta-feira, 31 de julho de 2014

Livre

Ao som de "Era um garoto que como eu" me desloco ao passado. Sempre tive paixão por músicas que continham histórias, histórias que me permitiam visualizar o enredo cantado. Músicas que iam além de palavras combinadas, encaixadas para rimar.

Lembro que pulava a janela que dava para a casa da minha tia, que tinha muitos discos dos anos 80/90. Eu sentava, quietinha, em um canto qualquer da casa para escutar as músicas que ela selecionava. Isso porque eu era proibida de cantar canções que não falassem de Deus e religião.

Eu podia até não gesticular as palavras com os lábios, podia não me mover ao ritmo da melodia. Aparentemente, eu estava distante, indiferente. Mas por dentro... Ah, por dentro tudo em mim estava vivendo plenamente o momento.

Por dentro, eu era livre para ser simplesmente quem eu quisesse ser. Livre para cantar o que me desse na telha, sem amarras e imposições. E isso era libertador! 

Desde muito cedo eu aprendi que toda a repressão que existe em meu mundo pode ser convertida em liberdade... E isso só depende de MIM! Ser quem eu quiser ser está no meu controle... e isso me fascina.





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