quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Tubinho Preto - 3

"Santo chá! Enquanto suas ervas dançam por minha boca o meu coração se recolhe, me fazendo lembrar dos motivos pelos quais eu não corri por esse aeroporto, como naqueles filmes de romance que mocinhas costumam assistir.
Já faz algum tempo, mas minha memória é boa. Antes, me inebriava a ideia de estarmos junto e ao mesmo tempo separados... Agora, ao menos, me resta a certeza da solidão - e, no fundo, são de certezas que a gente precisa.
E eu... Ah... Eu não pedia muito. Eu só queria ser olhada nos olhos por alguém que bailasse comigo quando o sol fosse dormir. Alguém que se metesse nos meus sonhos, no meu mundo.
Eu parti para nunca mais voltar. Mas ouvir a sua voz depois de tanto tempo estraçalha meu destino. Minha razão me segura neste banco gelado de aeroporto - que contrapõe-se ao chá que corre como formigas pelo meu sangue - mas minha alma pede por você. Por você e por esse amor visceral. Sem sentido e banal."

Setembro, 2014

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