"Santo chá!
Enquanto suas ervas dançam por minha boca o meu coração se recolhe, me fazendo
lembrar dos motivos pelos quais eu não corri por esse aeroporto, como naqueles
filmes de romance que mocinhas costumam assistir.
Já faz algum tempo,
mas minha memória é boa. Antes, me inebriava a ideia de estarmos junto e ao
mesmo tempo separados... Agora, ao menos, me resta a certeza da solidão - e, no
fundo, são de certezas que a gente precisa.
E eu... Ah... Eu
não pedia muito. Eu só queria ser olhada nos olhos por alguém que bailasse
comigo quando o sol fosse dormir. Alguém que se metesse nos meus sonhos, no meu
mundo.
Eu parti para nunca
mais voltar. Mas ouvir a sua voz depois de tanto tempo estraçalha meu destino.
Minha razão me segura neste banco gelado de aeroporto - que contrapõe-se ao chá
que corre como formigas pelo meu sangue - mas minha alma pede por você. Por
você e por esse amor visceral. Sem sentido e banal."
Setembro, 2014
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