quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tubinho - Capítulo II

Coloquei as malas no chão. Meu corpo estava febril. A sensação era de estar presenciando um vulcão, outrora adormecido, correr por minhas veias. Ter suas cálidas mãos tocando as minhas, sem aviso prévio, fora demais para mim.  O destino ao menos poderia ter me dado algum sinal. Certamente, teria vestido um tubinho mais justo. Vermelho, de preferência. 

O nosso diálogo, costurado de entrelinhas e formalidades, ainda ressoava em meus ouvidos. Eu atravessaria o corredor deste aeroporto, abandonaria a fila de espera e embarcaria em seus braços. Eu atravessaria... se futuro do pretérito fosse o meu forte. Eu combino mesmo é com o presente do indicativo que, aliás, retrata uma garota que está com as malas no chão enquanto tenta se recuperar do irrecuperável. Eu atravessaria o corredor, faria todas aquelas loucuras que ele já conhece de cor e salteado, mas, por hora, vou engolir o choro e fazer algum pedido.
__ Um chá gelado, por favor?


   

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